No Idéias & Negócios você vai encontrar histórias de negócios que deram certo. A intenção do blog é justamente despertar idéias e passar uma mensagem otimista e honesta para quem está à procura de uma vida melhor e da realização profissional independente. Além disso, você encontrará também dicas para conseguir apoio financeiro, conhecimento administrativo, e artigos sobre como divulgar seu pequeno negócio.
Exemplos são sempre essenciais no mundo dos negócios, sejam de trabalhadores autônomos, membros de cooperativas e/ou pequenos empresários: todos tem como segredo de sucesso o talento, a confiança e o sacrifício.
'O sucesso só vem antes do trabalho... no dicionário.'


O Caminho do Relento ao Sucesso

De sem-teto, guardador de carros e vendedor de ferro-velho à designer de fama internacional. Essa é a tragetória do mineiro Roberto Vascon. Das dificuldades que encontrou ao sair do interior de Minas Gerais -como ir para os Estados Unidos com passagem só de ida e dormir nas ruas- ele tirou toda sua criatividade para hoje ter suas bolsas em couro afamadas em todo mundo.

Roberto Vascon já foi vendedor de ferro velho, guardador de carros e fabricante de temperos. Saiu de sua cidade natal, Raposo (em Minas Gerais), e foi para Nova York somente com a passagem de ida. Lá, dormiu nas ruas até fazer bicos e, através deles, conseguir juntar dinheiro para comprar um pedaço de couro e produzir bolsas, que passou a vender em camelôs. Como num conto de fadas, uma editora de moda que passava pela rua, parou, gostou, levou e, através de uma matéria, divulgou as criações de Roberto. Daí, para páginas de outras publicações de sucesso, foi um pulo.
A personalidade simpática e falante não deixa transparescer o quanto batalhou para chegar onde está. Ele é seu próprio talento.

Hoje, Roberto recebe em sua loja, localizada entre a Columbus e a Broadway, clientes como Katleen Turner, Roberta Flack e Aretha Franklin. O designer trabalha com uma equipe de cerca de oito pessoas, mas é ele o responsável pelo corte: “faço questão que essa etapa fique comigo”, diz ele. Em diferentes cores e modelos – desde carteiras de mão em couro metalizado com fechos de strass até bolsas grandes com estampa de onça – as criações de Roberto circulam no Brasil pelas mãos da autora Gloria Perez e da jornalista de moda Regina Martelli, além de Leda Nagle. O toque refinado é o principal diferencial e agrada a diversos estilos.

A abertura de sua primeira loja no Brasil está prevista para junho, no Rio de Janeiro, no Fórum de Ipanema: “adoro o bairro, e acho que o Fórum é uma escolha especial, porque, quando mais novo, trabalhei lá, em uma loja bem pequena... o lugar me traz boas lembranças”, explica Roberto, que, mesmo morando há quinze anos em Nova York, sempre que pode faz questão de vir ao Brasil. “Sou apaixonado pelo meu país, não consigo ficar longe desse astral... pelo menos uma vez ano eu venho. Com a abertura da loja, vai ser ótimo: obrigatoriamente terei que ficar mais por aqui. Não vejo a hora de ver minhas criações sendo usadas no Brasil, quero sair e ver gente andando com minhas bolsas pelas ruas”, completa ele.

Seu segredo está na personificação dos produtos: a cliente pode interferir na criação, escolhendo, dentre a cartela proposta de modelos, as cores e o couro. Já o toque final fica por conta do misticismo: “depois que usar minha bolsa, você vai ver... elas são especiais, eu tenho toda uma relação mística com elas, sou todo ligado a energias”. Eu acredito.



O Engraxate do Futuro

Ele não precisou de mais do que mudar sua apresentação para alavancar seu negócio. Sim, é assim que Paulo Luiz vê sua profissão de engraxate. Cansado de ser olhado com indiferença e de ganhar tão pouco por cada serviço, ele pôs seu bom-senso pra funcionar e continuar a realizar seu trabalho impecável.
Com o sucesso e estilo, o rapaz já foi até entrevistado no programa do Jô -onde ganhou R$ 50,00 do apresentador, engraxando o sapato de um outro entrevistado. Agora, procura ampliar seus negócios e já começou, arrumando um sócio. Confira a história de sucesso dele e que ela te desperte a mesma criatividade e força de vontade.

No disputadíssimo mercado de engraxates da Praça Afonso Pena e arredores, na Tijuca, Zona Norte do Rio, é possível dar um trato nos sapatos por quase nada: R$ 0,50. É isso mesmo: cinqüenta centavos. Merreca. O preço é R$ 1, mas se o cliente insistir, sai pela metade.
Olhos fixos nos pés de quem passa, jovens e meninos descalços ou de sandálias de dedo, short e camiseta surrados andam pra lá e pra cá com suas caixas de madeira debaixo do braço, desconfiados de que para conquistar a freguesia já não basta talento com o pano e a graxa. Foram-se os tempos em que improvisar um sambinha com a flanela sobre o couro, na hora de lustrar, fazia a alegria do freguês.

Atento aos padrões de exigência de quem quer gastar pouquíssimo e desfilar um pisante com jeitão de novo, e depois de muito refletir sobre a melhor estratégia para enfrentar a forte concorrência, Paulo Luiz Vieira de Oliveira, 21 anos, providenciou um tapete vermelho, radicalizou no visual e arranjou um celular.
Ele conta que ouviu tantas queixas de clientes sobre o aspecto que consideram andrajoso dos engraxates em geral, que acabou tendo uma idéia. “Pensei assim: se eu melhorar a aparência e fizer com que o doutor se sinta importante, pode ser que as coisas melhorem.”
As coisas estão melhorando.

Antes da reforma geral no visual, os dias ruins rendiam R$ 15 e os bons, R$ 30. Há um mês e meio os dias ruins rendem R$ 30 e os bons, R$ 60.

Ele não veste Prada, mas impressiona De olho numa clientela fixa, Paulo Luiz fundou, há um mês e meio, o TeleGraxa. Ele não veste Prada, mas com meia dúzia de camisas sociais de cores variadas, quatro ou cinco gravatas idem e alguns ternos, tudo de marca barata e carimbado pelo tempo, montou um guarda-roupa que combina aleatoriamente, de segunda a sábado, do meio-dia às dez da noite, e agrada os fregueses. Mais: transformou uma velha cortina em tapete vermelho, sobre o qual acomoda sua caixa de engraxate e o cliente repousa os pés. Mais ainda: distribuiu o número do celular (21 8672-3074) na região e, em 45 dias, acredita ter conquistado cerca de 30 ‘doutores’ fiéis.

Celso de Castro Barbosa/G1"Doutor" Lopes tornou-se cliente fiel porque gosta do engraxate e do seu ritual (Foto: Celso de Castro Barbosa/G1)Em sua estratégia para ampliar os domínios na Tijuca pesou o fato de se concentrarem nas ruas onde atua faculdades, uma unidade da Petrobras, outra do IBGE, onde o tênis não reina absoluto. Onde é intenso o movimento de homens circulando de sapatos. São locais públicos e privados aos quais, naturalmente, Paulo Luiz não teria acesso vestido de engraxate tradicional. Quer dizer, foi preciso pôr um terno e uma gravata para fazer sua revolução. O traje é uma espécie de passaporte para um mundo totalmente novo no qual sonha ingressar, mas em outras circunstâncias.
“Desde que passou aqui em frente há um mês, só engraxo com ele”, conta Carlos Lopes, português de Bragança, 58 anos, há 31 no Brasil, dono do Café Luso Americano, botequim na esquina da Visconde de Cairú com Mariz e Barros. “Ele engraxa bem, o preço é bom e o ritual, aquele tapete vermelho, é muito divertido. Também é um bom menino”, elogia ‘doutor’ Lopes.
“Engraxar com ele é a única maneira de eu pisar num tapete vermelho”, ironiza ‘doutor’ Carvalho. Ou Cristiano Joaquim de Carvalho, cozinheiro, 36 anos, que aproveita a hora do almoço para engraxar os sapatos.

Tristeza e otimismo
Nem só de graxa sobrevive esse paulista de Mogi das Cruzes. No apartamento em Santo Cristo, Zona Portuária, onde vive com Cleby, a mulher 13 anos mais velha, e dois filhos dela, passa as manhãs e as folgas dedicado ao artesanato. Pulseiras e brincos em macramé são as peças principais de sua coleção, à venda a partir do dia 18. Quem vai vender, em bares e restaurantes, é a mulher. A pedido de Luiz, ela deixou o trabalho de catadora de papel para reciclagem.
Filho de uma faxineira de Minas Gerais e de um pai que nunca viu nem sabe quem é, do Rio de Janeiro, Paulo estudou até a 5ª série do ensino fundamental. Não foi além por absoluta falta de meios. Por isso, aos dez anos mergulhou no mercado informal de trabalho e nunca mais veio à tona. Jamais teve a carteira profissional assinada.
Ainda em São Paulo, tirou leite de vaca em fazendas do interior, foi servente de pedreiro na capital. Sua admiração por parques de diversão o levou a buscar serviço no setor. Numa das tentativas veio parar no Rio. Perdeu o contato com a mãe há cinco anos e a última notícia que teve dela foi de que se casou com um cigano e sumiu no mundo.
Ele também se dedica à poesia, mas uma leitura rápida e desatenta de alguns poucos poemas dá a impressão de que, como poeta, trata-se de um engraxate notável. Sente-se elegante em seus ternos e não vacila em apontar um homem que admira pela elegância. “O Tom Cruise é dez!”, avalia.
Paulo Luiz Vieira de Oliveira, brasileiro, tem no olhar uma mistura de tristeza e otimismo. Sonha com a volta aos estudos, mas não sabe o que quer ser exatamente. “Na verdade eu queria um pouco de estabilidade”.

Dona Raimunda das Tapiocas: A incrível multiplicadora

Ela já enfrentou as maiores dificuldades por não ter dinheiro suficiente nem para complementar a alimentação da família. Trabalhadora incansável, multiplicou valores irrisórios com o próprio suor, melhorou de vida e hoje dá palestras para pessoas que desenvolvem projetos públicos sociais e políticos... sem deixar de lado seu apurado senso de economia e investimento.

Começar o negócio com R$ 1 milhão teria sido bem mais fácil, mas Raimunda só tinha R$ 1. O que para muita gente é troco, para ela era uma pequena fortuna.
"Às vezes, eu tinha só o feijão, o arroz, não tinha uma merenda para dar para essas crianças comerem", conta a quituteira Raimunda Pereira.
Quando Raimunda se viu apenas com R$ 1 na mão e muita necessidade em casa, resolveu apostar numa receita que aprendeu com os pais. Com o dinheiro, comprou goma, a massa usada para fazer a tapioca. Um vizinho deu os cocos. Ela preparou tudo. E com 25 tapiocas começou um negócio.
"Me levantei de madrugada, caladinha, sozinha, quebrei uns coquinhos, fiz 25 tapiocas e saí vendendo. Vendi tudinho”, lembra ela.
Ela voltou para casa com menos de R$ 10 e uma pergunta: O que fazer para esse dinheirinho render?
"Primeiro eu tinha que comprar o material para trabalhar, porque se eu não comprasse, eu gastava o dinheiro todo em casa e como era que eu ia trabalhar sem ter material?”, conta Raimunda.
A produção foi aumentando, as encomendas também. O primeiro grande cliente foi o dono da padaria do bairro, na periferia de Fortaleza.
"Comecei com dez tapiocas. Aí foi aumentando. De dez passou para 15, de 15 para 20, para 30. Depois passou para 50", lembra ela.
"Ela deixa de manhã, a tarde passa cobrando e a gente paga. Nunca fiquei devendo, ela não deixa”, diz o dono da padaria Cristiano Marques.
Já não faltava mais comida em casa e Raimunda até pensou em fazer uma pequena extravagância, comprar um vestido novo.
“Quando eu cheguei na loja eu olhava para os tecidos, olhava para os vestidos e fica pensando que não ia dar", lembra ela.
Foi o espírito de empreendedora que falou mais alto.
“Andei em muitas lojas, muitas. Não comprei o vestido, comprei foi as peças para eu trabalhar, forma para fazer tapioca", conta ela. Com os novos equipamentos, a produção se multiplicou. A família, que não botava fé no negócio, passou a acreditar. Ela, os filhos e o marido montaram uma cozinha maior em casa para fazer as tapiocas.
“Eu faço 350, 400, quase todo dia", garante Raimunda.
Os valores ainda são pequenos. O investimento que Raimunda fez no começo, R$ 1, equivale hoje a três tapiocas menores. Outras custam R$ 0,40, cada. Mas foi assim, de moeda em moeda, de real em real, que ela conseguiu formar um pequeno patrimônio. Reformou a casa onde mora e construiu outros quatro imóveis para alugar, na periferia de Fortaleza.
"Para mim é um castelo que eu tenho, é um futuro para minha vida, um futuro pros meus filhos mais tarde", afirma ela.
Sete anos depois, Raimunda sabe que deve manter o ritmo de trabalho. Levanta de madrugada, todos os dias.
"A gente se levanta às 2h”, conta.
Quando termina de fazer as centenas de tapiocas, ainda tem fôlego para entregar o café da manhã.
Ela vende nas ruas, de porta em porta.
“O sabor do coco é muito bom, bem macia, é ótima. Todo dia de manhã ela passa, já vem gritando e a gente já sabe que é ela e eu compro”, aprova o cliente Sidnei da Silva.
Histórias como a de Raimunda se refletem nas estatísticas. O último levantamento feito no Brasil mostra que para cada homem que começa um negócio, há também uma mulher. O país é o segundo no mundo em número de mulheres empreendedoras, atrás apenas da Hungria.
No Ceará, a vida dessa mulher forte, batalhadora virou exemplo. Hoje, Raimunda dá palestras, ensina como investir bem o dinheiro. Na platéia, médicas, psicólogas, assistentes sociais que desenvolvem políticas públicas no interior do Ceará.
“A dificuldade, a humildade, a necessidade, que é demais. Você passar fome de ter vontade de comer uma coisa e não ter o dinheiro para comprar. Você saber poupar aquele dinheiro que você pegou, saber dividir aquele dinheiro que você conseguiu, é isso aí que me fez isso”, explica Raimunda.
Raimunda não sabe mais onde as tapiocas podem ajudá-la a chegar. Para quem pensa em seguir o mesmo caminho, o conselho é um só: “Tanto faz R$ 1 como R$ 1 milhão, você tem que saber valorizar e usar”, ensina Raimunda.

 
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